COFFY (1973)

O filme que lançou Pam Grier e uma influência admitida de Tarantino, que o usou como referência para o seu "Jackie Brown" (além, claro, de "Foxy Brown").  "Coffy" mostra-nos que a diferença entre uma atriz atraente e uma "sex symbol" é um papel marcante, e Grier não desperdiça a oportunidade. A forma como manipula as outras personagens com a sua sensualidade para consumar a sua vingança é semelhante à forma como manipula o espectador. Afinal, se Coffy sabe camuflar tão bem as suas reais intenções, será que não está a fazer o mesmo nos momentos em que nos parece ser sincera? Ela até pode tirar a roupa, mas nunca perde o controlo da situação, e isso atinge uma contradição fundamental do género da "blaxploitation": ao mesmo tempo que era gerado no seio de um sistema de produção dominado por homens brancos que criava personagens negras estereotipadas (hipersexualizadas, entregues a uma vida de crime, toxicodependentes, etc), também abordava temas que realmente interessavam ao público negro e, talvez até mais importante, criava heróis e heroínas negras com a capacidade de empoderarem o seu público.

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