O Assassino Mora no 21 (1942)

Quando se vê o documentário O Inferno de Henri-Georges Clouzot (2009), fica-se com a ideia de um cineasta que, nos anos 60, estava com vontade de abrir o seu cinema ao excesso, ao arrojo e à embriaguez da imagem.

Claramente, esse ainda não era o caso quando Clouzot fez este sucesso francês de 1942, produzido no ápice da ocupação nazista — pormenor importante, se considerarmos que ele seria condenado como colaboracionista depois da guerra e proibido de filmar durante dois anos.

Trata-se de um "whodunnit" relativamente convencional, gravado em estúdio, com toques de comédia e de "film noir" e em que a montagem pouco expressiva serve para pouco mais do que ligar cenas que parecem radicadas em uma certa tradição de teatro popular.

No mesmo ano do Era Uma Vez Um Pai de Ozu ou de Soberba / O Quarto Mandamento de Welles, e um ano antes de Visconti inaugurar o neorrealismo com Obsessão, isso já era muito pouco.

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