Ansari e Dogma

Acho que foi há uns 10 ou 12 anos a última vez que vira stand-up do Aziz Ansari, mais ou menos pela época em que ele tinha entrado na série dos Flight of the Conchords. Na época, não lhe achei grande graça; pareceu-me forçado, como se se esforçasse demais para chegar à piada. Porém, como gostei muito de Master of None, fui à Netflix ver Right Now, o seu novo especial. A direção do Spike Jonze (pelo que percebi, é ele próprio que opera aquela beleza de câmera 16mm) é ótima, realçando o diálogo entre comediante e seu público, e o Ansari de hoje pareceu-me magistral. Começa devagar, soltando umas piadolas bobas, mas, depois de abordar a acusação de assédio de que foi alvo, não solta mais o osso dos nossos tempos e das nossas contradições e dilemas enquanto os vivemos. Reparei que ele evita o tópico Trump, que já estará mais do que gasto, e que prefere focar no cotidiano das próprias pessoas, usando os seus espectadores como cobaias. Adorei ver como Ansari se tornou um excelente manipulador da tensão do público.

Depois vi Et Rigtigt menneske, ou Truly Human, o Dogma 95 nº18, de 2001. Um enredo muito fora do comum para o Dogma: o amigo imaginário de uma menina ganha vida e tenta aprender a tornar-se humano. Fantasioso e queridinho, mostra que os Dogma do séc. XXI expandiram muito o horizonte do género definido por Trier e Vinterberg.

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